A minha caixa de ferramentas

Na minha cabeça, há algum tempo que descrevo o que faço por meio de uma analogia. Uma analogia a uma caixa de ferramentas onde as minhas ferramentas são perguntas. Perguntas para desmontar uma situação, perguntas para cutucar uma possibilidade, perguntas para direcionar o pensamento e por aí fora. Hoje vejo isto como uma ideia falha e francamente inocente. Pelo menos como forma de explicar o que faço, é uma resposta terrivelmente vaga.

É pretensiosa e vazia, além de não ajudar ninguém a entender que tipo de problemas eu ajudo a resolver e para quem o faço. De volta à estaca zero.
No entanto, ser capaz de articular o que seriam essas ferramentas que utilizo no meu ofício é um exercício útil. E esta semana, por coincidência, enquanto lia o livro “Sobre a Escrita” de Stephen King, me deparei com uma forma melhor de o fazer. King descreve a caixa de ferramentas de um escritor, utilizando como ponto de partida a caixa de ferramentas real e bem gasta do seu falecido tio.

“A caixa de ferramenta era das grandes. Tinha três bandejas. As duas de cima eram removíveis e todas as três continham gavetinhas tão práticas quanto caixas chinesas. Foi feita à mão, é claro. Tábuas escuras eram conectadas por pregos bem pequenos e fios de latão.

(…)

Tio Oren me mandou abrir os cadeados. As ferramentas mais comuns estavam na primeira bandeja da caixa. Tinha um martelo, uma serra, um alicate, duas chaves de boca grandes e uma chave inglesa; também tinha uma bandeja com aquela mística janela amarela no meio, uma furadeira (as várias brocas estavam cuidadosamente engavetadas nas profundezas da caixa) e duas chaves de fenda. Tio Oren me pediu uma chave de fenda.”

King vê algo na caixa de ferramentas do seu tio que eu não havia visto na minha: bandejas para tipos de ferramenta específicos. A minha caixa de ferramentas do mundo real, a que eu utilizo para consertar coisas, é uma caixa única com tudo atirado dentro. Me pergunto porque me escapou a ideia de bandejas para a minha caixa de ferramentas mental.
Esta é portanto, a minha tentativa de melhorar a descrição de uma caixa de ferramentas mentais:

  • Ferramentas para abordar um problema;
  • Ferramentas para entender contexto em novas situações;
  • Ferramentas para verificar a clareza do pensamento;
  • Ferramentas para explicar e convencer.

Você abre a caixa e a primeira bandeja cobre toda a extensão da abertura, como uma segunda tampa. Você não consegue alcançar as ferramentas abaixo sem primeiro puxar esta bandeja para fora. Eu uso-a para guardar algumas ferramentas curiosas e pequenas. Como um canivete suíço com partes que ainda não sabe bem para que servem ou como utilizar, estes são apetrechos que uso frequentemente mas não compreendo completamente.

Elas são uma curiosidade genuína para com o problema em causa, uma abertura a mudar de opinião e um esforço para ser empático para com as pessoas com quem trabalho ( de preferência esta empatia funciona a mais do que um nível ).

  • Curiosidade
  • Abertura
  • Empatia

Nem sempre sei utilizar estas ferramentas da melhor forma e por vezes as deixo cair e não torno a pegar até ao final de um projeto. Mas elas formam a base de toda a parafernália de pensamento que utilizo.

As bandejas seguintes são menores. Têm metade do tamanho e ficam lado a lado. A primeira destas, do lado esquerdo, tem uma série de ferramentas criadas para compreender o contexto e o problema. São como réguas e níveis. Da mesma forma que você pode utilizar uma régua comprida para alcançar um parafuso que caiu atrás de um móvel, estes utensílios cognitivos podem ser usados de mais de uma maneira.

Aqui você encontrará conjuntos de perguntas, claro. Mas também ferramentas de pensamento visual que utilizo para dar tangibilizar e compartilhar pensamentos para que os possamos refinar juntos. Habilidades de mediação e facilitação de grupos também são úteis aqui, apesar de não serem o meu ponto mais forte.

Há uma terceira bandeja, do mesmo tamanho da anterior e colocada a seu lado. Esta contém acessórios que são diferentes mas que frequentemente são utilizados em conjunto com os da segunda bandeja. É quase impossível escutar e absorver ( as ferramentas anteriores ) sem tentar organizar e ordenar ideias. Nesta terceira bandeja você pode encontrar pensamento sistêmico, alguns modelos mentais ( bem afinados não por mim, mas pela História e pelos que os descobriram ) e algumas formas de medir a qualidade e o rigor do meu raciocínio: uma compreensão básica de viéses cognitivos. Se não nos atentarmos a eles, podem distorcer todo o processo e comprometer o resultado. São utensílios importantes.

Nem todos os projetos chegam a exigir as ferramentas do próximo nível. Alguns terminam nos níveis anteriores, que são mais focados em entender a realidade de um projeto e com base nisso montar modelos mentais que possamos utilizar para resolver problemas complexos.

Porém em alguns casos, precisamos traduzir as nossas conclusões em ações para outros. Existem formas simples e formas elegantes. As mais simples, ficam numa divisória pequena, que ocupa metade da largura da caixa. Nesta divisória você encontra a escrita. Assim como a cola, existem vários tipos de escrita e alguns necessitam de cuidado no manuseio. Escrever para explicar conceitos complexos, escrever para ensinar a fazer algo, escrever para convencer e vender uma ideia. Todos são feitos de palavras, mas claramente não são a mesma coisa. A ciência de materiais do mundo dos adesivos é vasta, assim como o mundo da escrita e suas vertentes. Como todos, eu sei escrever há muito tempo. Mas apenas recentemente comecei a refinar e melhorar. Talvez isso se note…

A forma elegante de transformar pensamento em movimento é trabalhando com outros. Clientes que precisam se abrir a novas possibilidades, equipe que necessitam mudar a forma como fazem alguma coisa, colegas que querem ser convencidos antes de aceitar uma ideia cegamente. Por vezes isto chega a parecer trabalho de precisão, como marchetaria ou relojoaria. Apesar de fazer isto há anos, ainda não é algo que me venha muito naturalmente. Todos nós temos partes favoritas do trabalho, e no meu caso, são as bandejas anteriores a esta.

A tecnologia colaborativa mais bem sucedida de sempre

Há uns tempos tive a oportunidade de participar numa visita a algumas empresas no Vale do Silício. Foi uma experiência muito bacana, em especial por algo que pude ver em primeira mão: sistemas de trabalho colaborativo com um forte toque de pensamento visual.

Um paradoxo na nossa relação com a tecnologia é o fato de ela nos dar habilidades extra, mas sempre estar relacionada com algum hábito, tendência ou mecânica ancestral que foi embutida no nosso DNA há dezenas de milhares de anos. Continue lendo “A tecnologia colaborativa mais bem sucedida de sempre”

Organizações Exponenciais também começam por um Canvas

Você tem estado atento às tendências de palestras, podcasts e afins, e você já se ligou que temas como o Futurismo e Exponencialidade estão em alta. Pessoalmente já ilustrei umas 2 ou 3 palestras do tema, fiz um curso no Vale do Silício e perdi a conta da quantidade de pessoas que me recomendaram os livros relacionados.

Fotografia de uma mesa com o canvas de organizações exponenciais corrigido e anotado

O assunto está quente e fará parte de muitas conversas nos próximos meses.

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Como você vende o seu método de trabalho?

Uma das conclusões mais importantes a que cheguei nos últimos anos é que perante a infinidade de pontos de vista, opiniões e perspectivas, tornou-se fútil procurar a verdade única das coisas. Assim, somos todos livres de criar nossos métodos, processos e ferramentas.

Isto não quer dizer que qualquer ideia é uma boa ideia Continue lendo “Como você vende o seu método de trabalho?”

Porque o Business Model Canvas é tão popular

É provável que você já tenha visto alguns Business Model Canvas ( ou Tela do Modelo de Negócios ). E é bem possível que você já tenha preenchido algumas versões também. Se existe um documento que representa a recente vaga de empreendedorismo é o Canvas*.

Isto é curioso e ao mesmo tempo, previsível:

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