O Porquê do seu workshop All-In não ter dado certo

Ilustração de pessoas em um workshop criativo, 5 pessoas sobre uma mesa discutindo

As fotos são maravilhosas: sorrisos, post-it, pessoas de pé discutindo ideias e mesas cheias de conceitos, frases soltas, rabiscos e copinhos de café. Por vezes chega a parecer stock photography de temas como “Inovação” ou “Start-up”. Mas frequentemente ( não sou o primeiro a fazer esta observação ) parece mais teatro corporativo.

Ilustração de pessoas em um workshop criativo, 5 pessoas sobre uma mesa discutindo

Um produto muito comum para quem trabalha em consultoria é o workshop. Essa palavra, ao ser pronunciada, evoca imagens de dinâmicas e debate, brainstorm e outras atividades mais ou menos recorrentes. E no meio de toda a boa vibe que se espera de um workshop, por vezes as coisas ficam um pouco soltas demais e os resultados não são muito impressionantes. É por isso que gostei muito quando vi que a MESA prega o “Do not trust the process”. Não é suposto um workshop ser só boa vibe. Talvez me digam que nem todos os workshops são assim, que empresa X é diferente e por aí fora, tudo isso é válido. Mas sabemos que esta situação do workshop meio new-age demais é real.

Eu não digo que workshops não sejam uma fonte interessante de informação, um momento especial para marcar uma transição ou um processo colaborativo e profundamente atual para o mundo complexo que temos. O que eu acho é que por vezes clientes ainda não muito versados nestes temas são convencidos que o que eles precisam é de um workshop.

Se o que buscamos é transformação, transformação de um produto, de um processo ou de uma organização, faz sentido pensar não no início do processo, mas na sua continuidade. 

Um workshop que marcará um antes e um depois. A história da empresa passará a se organizar em A.W. e D.W..

Existem 3 motivos pelos quais sou cético:

  1. Assim como personas ou user flows são partes de um processo e não fazem muito sentido como entregáveis de um projeto em Produtos Digitais, por exemplo, Workshops são um meio e não um fim. Faz sentido uma empresa contratar ajuda para transformar um processo interno. Pode ser que esse projeto exija um workshop, mas pode ser que não. O que para mim não faz sentido é contratar um workshop apeanas. É como comprar só as batatas fritas do PF: todo o mundo gosta de batatas fritas, mas não é um grande almoço.
  2. É caro contratar uma consultoria externa. E em teoria ( em teoria! ), os problemas mais simples que a equipe do cliente pode resolver sozinha já foram solucionados. Logo, se alguém está contratando especialistas externos, provavelmente o problema a resolver é complexo. Nada complexo se resolve de uma assentada. Tudo o que é complexo demora a resolver e isso normalmente é feito de forma gradual, com acompanhamento constante. Para abusar das analogias: Workshop como solução All-In é como cirurgia, quando na verdade fisioterapia muitas vezes faria mais sentido: mais encontros simples, espaçados, menos invasivos.
  3. Workshops são na verdade muito difíceis de organizar e coordenar. Trata-se de conseguir a participação e colaboração de várias pessoas, com perfis diferentes e frequentemente com objetivos opostos. Além do mais, workshop quer dizer “oficina”, um lugar onde se fazem coisas. Alguns workshops não resultam em nada e são apenas uma nova forma de dizer “palestra” ou “treinamento”. Ou seja, é muito fácil um workshop ser mal organizado, mal facilitado e os seus resultados mal processados. Como a variação de qualidade entre workshops e consultores é tão grande, não é nada difícil de imaginar que muita gente está colocando as esperanças de transformação da sua organização em um produto imperfeito.

Existe um corolário para tudo isto:

Se o que buscamos é transformação, transformação de um produto, de um processo ou de uma organização, faz sentido pensar não no início do processo, mas na sua continuidade. Não é o fato do seu workshop de inovação gerar 465 ideias que vai mudar tudo.

O que vai mudar tudo é o que acontece depois do workshop, é como são criados planos e estratégias para fazer acontecer as ideias escolhidas. Esta parte é menos sexy, é menos conciliadora ( uma boa forma de estragar uma boa ideia é mistura-la com outras ideias boas ), é menos Thinking e mais Doing.

A minha humilde sugestão é que clientes e consultores discutam todo o processo e não apenas os momentos #innovation #workshop e #brainstorm.

P.S. Reforço, a minha crítica não é ao Workshop, mas sim à ideia de que ele é a panaceia de todos os problemas organizacionais. Por vezes coisas mais simples são bem mais eficazes.

P.P.S. Sim, “Workshop” é um termo muito genérico, mas acredito que a maior parte dos leitores vai conseguir imaginar precisamente o que estou falando.

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